25 anos de saudades do nosso Saudoso TIÃO CARREIRO.

Há exatas duas décadas, calava-se em São Paulo uma voz forte de timbre grave que marcou o mundo da música sertaneja. Nascido José Dias Nunes na região de Montes Claros (MG), em 1934, esse ícone da música brasileira de raiz tornou-se popular pelo nome artístico de Tião Carreiro. O violeiro ficou conhecido no universo musical caipira ao criar uma batida, batizada por ele mesmo de “pagode”, um ritmo animado feito por uma dupla de viola e violão. “É um som que contagia. Meu pai deu esse nome porque no interior de Minas Gerais e Goiás, festa ou baile na roça é chamada de pagode”, contou ao Correio Alex Marli Dias, filha única do artista.

O pagode nasceu no final dos anos 1950, durante uma turnê da dupla com Pardinho pelo interior do Paraná, na região de Maringá. Durante uma apresentação, Tião tanto mexeu e remexeu nas cordas da viola que encontrou um novo ritmo. Achou bonito, mas faltava alguma coisa. O complemento, o artista encontrou no violão do maestro Itapuã (o músico, compositor e arranjador Ozório Ferrarezi). Os dois começaram a ensaiar juntos até que Tião ficou satisfeito com o resultado. Chegou a São Paulo e encomendou ao amigo e compositor Lourival dos Santos uma letra que se encaixasse na novidade.

 foi em 1960 que saiu Pagode em Brasília, uma composição divertida para homenagear o nascimento da nova capital. Assinada ainda por Teddy Vieira, a música estourou nas rádios de todo o Brasil e estreou o ritmo inventado por Tião Carreiro. Regravada por dezenas de outros cantores ao longo dos anos, a música traz uma curiosa frustração declarada mais de uma vez pelo próprio Tião. “Ele contava que entregou a música para o Lourival colocar a letra e abriu mão da autoria. Arrependeu-se a vida toda. Depois disso, nunca mais deixou de assinar nenhuma das composições que musicou, já que ele não fazia letra”, conta Almiro José Alves, o Praiano, último a compor dupla com Tião, pouco antes da morte do cantor. Praiano hoje canta com Rodrigo Mattos.

Trechos de Pagode em Brasília

“Quem tem mulher que namora

Quem tem burro empacador

Quem tem a roça no mato, me chame que jeito eu dou”

(…)

“Bahia deu Rui Barbosa

Rio Grande deu Getúlio

Em Minas deu Juscelino

De São Paulo eu me orgulho”

(…)

“No estado de Goiás meu pagode está mandando

O bazar do Vardomiro em Brasília é o soberano

No repique da viola balanceia o chão goiano

Vou fazer a retirada e despedir dos paulistano

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